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Dependência Emocional: A Influência da Autoestima nas Relações Afetivas


Sentir-se amado, desejado e importante para alguém é um anseio humano legítimo. Mas, para muitas pessoas, esse desejo se transforma em necessidade. Uma urgência que ultrapassa a troca natural do afeto e passa a ser uma forma de sobrevivência emocional. Quando isso acontece, é comum que a autoestima esteja profundamente comprometida — e isso tem raízes mais profundas do que se imagina.


A autoestima, ao contrário do que se diz em discursos motivacionais, não é construída apenas com afirmações positivas ou pensamentos bons. Na psicanálise, entendemos que ela se forma a partir da relação com o Outro, especialmente nas experiências precoces. Uma criança que não é vista, nomeada, acolhida emocionalmente, cresce com uma sensação interna de não ter valor — e muitas vezes, nem consegue formular isso com palavras. É algo que simplesmente se sente: “não sou suficiente”, “não sou bom o bastante para ser amado”.


Essa ferida narcísica, deixada nas primeiras relações, se torna a base sobre a qual o sujeito construirá seus vínculos afetivos no futuro. Se, na infância, o amor vinha condicionado — “só sou aceito se for bonzinho, se for calado, se agradar” —, na vida adulta esse padrão se repete. Só que agora o “outro” não é mais pai ou mãe, mas o(a) parceiro(a), o amigo, o chefe, ou qualquer figura que represente o afeto que ainda se deseja conquistar.


A pessoa com a autoestima fragilizada geralmente entra nas relações acreditando que precisa merecer o amor do outro — e, muitas vezes, se submete a situações que a machucam, com medo de perder esse afeto. Há uma confusão entre ser amado e ser aceito a qualquer custo. Quando o amor próprio não está minimamente estruturado, o amor do outro se torna essencial — quase como se, sem ele, o sujeito não existisse.


Na clínica, é comum ouvirmos que “basta melhorar a autoestima” — como se fosse uma peça que se encaixa de forma isolada. Mas a psicanálise nos mostra que essa “autoestima” é atravessada por experiências inconscientes, por mensagens recebidas (e não recebidas), por olhares que faltaram, por palavras que marcaram. Muitas vezes, ela está ligada à própria constituição do sujeito, à forma como ele se sente no mundo.


Trabalhar a dependência emocional, nesse sentido, não é apenas aprender a “ficar bem sozinho”, mas se perguntar: quem sou eu sem o olhar do outro? É reencontrar partes que foram deixadas de lado para agradar, sobreviver ou ser aceito. É escutar o próprio desejo, mesmo que ele pareça estranho no início. E, principalmente, é poder construir, aos poucos, uma imagem de si mais verdadeira — não perfeita, mas possível.


Ao longo do processo terapêutico, esse movimento pode acontecer. Quando o sujeito passa a se escutar, a se implicar na própria história, começa a perceber que o amor do outro não precisa vir com o preço da anulação de si. Que é possível amar sem se perder. Que há um valor que não depende da aprovação externa.


Fortalecer a autoestima, na psicanálise, não é inflar o ego, mas reconstruir o eu a partir de um lugar mais habitável — um lugar em que o sujeito se reconhece, se respeita e pode, enfim, se relacionar com mais verdade e menos medo.


Este texto tem caráter informativo e psicoeducativo, não substituindo avaliação ou acompanhamento psicológico individual.

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