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Autossabotagem: Quando Crescer Produz Culpa

  • 14 de mai.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 15 de mai.


Nem sempre a culpa aparece apenas depois de um erro.

Em alguns casos, ela surge justamente quando a vida começa a dar certo.

Algumas pessoas percebem isso de maneiras sutis:

quando começam um novo projeto, recebem reconhecimento, melhoram financeiramente, se posicionam de forma diferente ou finalmente começam a construir algo próprio.

É como se, junto do crescimento, surgisse também um desconforto difícil de explicar.

Na superfície, tudo parece caminhar bem.

Mas internamente algo pesa.

Na clínica, isso às vezes aparece como uma sensação silenciosa de estar ultrapassando um limite invisível.

Porque crescer não envolve apenas conquistas externas.

Crescer também pode significar afastar-se de lugares emocionais antigos.

Existem famílias organizadas em torno da sobrevivência.

Famílias que ensinaram esforço, resistência e capacidade de suportar dificuldades — mas onde, muitas vezes, não houve espaço emocional para desejar muito, expandir ou sonhar para além do necessário.

Nesses contextos, o sujeito pode aprender, sem perceber, que existir é “aguentar”.

E então, quando começa a ocupar um lugar diferente, algo dentro dele reage como se houvesse uma quebra de pertencimento acontecendo.

Como se crescer significasse deixar para trás aqueles que permaneceram presos à mesma lógica de vida.

Isso não costuma acontecer de forma consciente.

A pessoa não pensa:

“não vou crescer para não ultrapassar minha família.”

Mas, emocionalmente, pode existir culpa em viver de uma maneira que ninguém ao redor conseguiu viver.

Por isso, às vezes, a autossabotagem não aparece apenas como medo do fracasso.

Ela surge justamente quando o sujeito começa a se aproximar daquilo que deseja.

Como se existisse uma fidelidade invisível ao lugar familiar.

E talvez uma das experiências mais difíceis da vida psíquica seja justamente esta:

Tentar crescer sem sentir que, para isso, será necessário deixar de pertence.


Este texto tem caráter informativo e psicoeducativo, não substituindo avaliação ou acompanhamento psicológico individual.

 
 
 

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