Autossabotagem: Nem toda autossabotagem é falta de vontade
- 14 de mai.
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Quando as pessoas falam sobre autossabotagem, normalmente pensam em procrastinação, preguiça, medo ou falta de disciplina.
Como se bastasse “querer mais” para sair do lugar.
Mas, na clínica, muitas vezes a experiência aparece de outra forma.
Existem pessoas que desejam profundamente mudar de vida, crescer, construir algo diferente, se posicionar de outra maneira — e ainda assim parecem recuar justamente quando começam a se aproximar disso.
Não porque sejam fracas.
Nem porque não se esforcem.
Mas porque, em alguns casos, existe um conflito interno silencioso acontecendo.
É comum que a autossabotagem seja percebida apenas no comportamento:
a desistência, o adiamento, a repetição dos mesmos erros, a dificuldade de sustentar constância.
Mas o comportamento costuma ser apenas a parte visível de algo mais profundo.
Às vezes, o sujeito até sabe racionalmente o que gostaria de fazer. Sabe o caminho. Entende o que precisa mudar. Mas algo parece puxá-lo de volta para o mesmo lugar.
Como se crescer emocionalmente produzisse tensão.
E isso nem sempre está ligado apenas ao medo do fracasso.
Em certos casos, o próprio movimento de mudança pode gerar culpa, desconforto ou sensação de ameaça — ainda que de forma inconsciente.
Porque crescer não significa apenas conquistar algo novo.
Às vezes significa também se afastar de lugares antigos da própria história.
Algumas pessoas aprenderam desde cedo a sobreviver emocionalmente, não necessariamente a desejar, expandir ou existir de forma mais livre.
E quando tentam sair desse lugar, algo dentro delas reage.
Por isso, nem toda autossabotagem acontece por falta de vontade.
Em alguns casos, ela pode funcionar como uma tentativa inconsciente de permanecer pertencendo ao lugar psíquico que sempre foi conhecido.
Talvez seja por isso que algumas pessoas parem justamente quando começam a dar certo.
Não porque não desejem crescer.
Mas porque, às vezes, crescer também assusta.
Este texto tem caráter informativo e psicoeducativo, não substituindo avaliação ou acompanhamento psicológico individual.




















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